Saiba tudo sobre o II Curso Internacional de Direito Ambiental
As palestras apresentadas pela professora Blanca Lozano Cutanda, catedrática de Direito Administrativo da Universidade do País Basco (Espanha), foram os destaques dos dois dias do curso. No primeiro dia, a professora falou sobre o Direito Internacional do Meio Ambiente e a União Européia: o nascimento do Direito, sua importância para frear a deterioração do planeta e que ações devemos tomar para que sejamos ecocidadãos. Blanca reforçou a idéia de mudar pequenos hábitos do cotidiano porque eles fazem a diferença. Ela destacou os tratados e convenções feitas no mundo inteiro para a proteção do meio ambiente como instrumentos que viabilizam a implantação da legislação ambiental. A professora ressaltou, também, a Constituição espanhola e o meio ambiente, assim como a estrutura da legislação ambiental da União Européia. Ela explicou que em nível ambiental a União Européia, assim como para todos os outros assuntos, conta com instituições básicas como o Parlamento, a Comissão, o Conselho e o Tribunal de Justiça para viabilizar a prática da legislação ambiental.
No segundo dia, o destaque foi a prevenção do dano ambiental, a prática do estudo de impacto ambiental e as fraudes ocorridas nesses estudos. Segundo a professora, ainda há o problema do crescimento urbanístico desenfreado e o mais grave: a corrupção urbanística. Construções irregulares em áreas de preservação ambiental são algumas das questões que vão parar na Justiça espanhola. Ela afirmou que o desafio reside em conciliar o desenvolvimento econômico e a forma ambientalmente adequada que permita o crescimento urbanístico ordenado.
Um grande destaque no curso foi a abordagem da poluição luminosa. Segundo a professora, essa é a questão da ordem do dia na Europa. Ela explica que a poluição luminosa é aquela que prejudica ou impede a visão da "luz da noite" ou luminosidade do céu noturno com sua luz geral e difusa, impossibilitando a visão da luminosidade própria das estrelas. Algumas comunidades autônomas da União Européia estão legislando sobre tipos de "poluição lumínica", impondo limites à intensidade das lâmpadas instaladas em ruas e praças públicas. "Esse tipo de poluição altera o ciclo biológico das aves e gera aumento do consumo de energia e impede o direito do cidadão de ver a luz do céu e das estrelas", disse Blanca.

Autoridades que participaram do evento
Sandra Cureau iniciou sua apresentação dizendo que trabalha há 30 anos com patrimônio cultural e que quando começou a trabalhar nesta área, como Procuradora da República em Minas, só havia como instrumento legal o art. 165 do código penal, que dispunha sobre o crime de dano. No entanto, grande parte das denúncias do MP sequer eram recebidas pela justiça. Até a chegada da lei da ACP não havia instrumento eficaz de proteção do patrimônio cultural.
A supbrocuradora apresentou dois questionamentos à professora Blanca. Em primeiro lugar, indagou se na Espanha a legislação protege o entorno dos bens culturais (preservando também a ambiência) ou só os monumentos. Em seguida, perguntou se as leis espanholas prevêem a participação popular nas discussões que visam a determinar ou excluir áreas de preservação. Na resposta, Blanca disse que na Espanha não há a preservação do entorno, mas só dos monumentos. Disse, ainda, que as leis espanholas não prevêem a participação popular em discussões sobre a determinação de áreas a serem preservadas.